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Rock

Opeth: a banda sueca que abandonou o death metal, virou progressiva e voltou ao grunhido 30 anos depois

Poucas bandas de metal mudaram de identidade tantas vezes quanto o Opeth — e poucas fizeram isso sem perder o público pelo caminho. A banda sueca passou da fúria do death metal ao rock progressivo mais cerebral, ficou mais de uma década sem um único grunhido e, quando menos se esperava, voltou a gritar.

Opeth tocando ao vivo
Formado em Estocolmo em 1990, o Opeth construiu a carreira mudando de identidade musical mais de uma vez.

Uma cidade que não existe deu o nome à banda

O Opeth nasceu em abril de 1990, em Estocolmo, fundado por David Isberg junto com amigos de Täby. O nome vem de "Opet", uma cidade fictícia do romance The Sunbird, do escritor sul-africano Wilbur Smith — uma escolha literária, não musical, que já dizia algo sobre o gosto da banda por referências fora do universo do metal.

Isberg chamou um guitarrista de apenas 16 anos chamado Mikael Åkerfeldt para tocar baixo. Dois anos depois, Isberg deixou a banda citando "diferenças criativas". Åkerfeldt assumiu o microfone — e nunca mais soltou. Dali em diante, seria ele o compositor, letrista e a cara pública do projeto.

Dos porões do death metal a Blackwater Park

Com Åkerfeldt como força criativa principal, o Opeth lançou o primeiro disco, Orchid, em 1995. Seguiram-se Morningrise, My Arms, Your Hearse e Still Life, de 1999 — o primeiro álbum-conceito da banda, uma história de amor proibido ambientada numa cidade fictícia dominada pela religião.

O salto que definiu a década seguinte veio com Blackwater Park, de 2001: disco que rendeu à banda sua primeira turnê mundial e consolidou uma fórmula só deles — riffs pesados de death metal intercalados com passagens limpas, acústicas, quase folk. Nenhuma outra banda de death metal soava assim, e foi essa mistura que atraiu a atenção de Steven Wilson, do Porcupine Tree, que coproduziu o disco ao lado da própria banda.

2011: a virada sem growl

A mudança não veio do nada. Já em Damnation (2003), o Opeth gravou um disco inteiro sem um growl sequer, como contraponto ao Deliverance, lançado no mesmo ano e ainda pesado. Mas foi em Heritage (2011) que a virada ficou definitiva: um álbum de rock progressivo, com influências de jazz, blues e prog dos anos 70, sem vestígio do death metal que abriu a carreira da banda.

Parte do público reagiu mal — queria o Opeth antigo de volta. A banda não deu ouvidos.

Pale Communion (2014), com arranjos de cordas, Sorceress (2016) e In Cauda Venenum (2019) seguiram a mesma linha: cinco discos seguidos, dezesseis anos, sem um único grunhido.

"Não sei mais o que a gente é"

Em entrevista ao site Blabbermouth, Åkerfeldt resumiu essa identidade em fluxo: "No sentido mais verdadeiro da palavra, eu acho que somos uma banda progressiva." E foi além: "Com o tempo, vinte e cinco anos depois, eu realmente não sei mais o que a gente é — o que nos torna uma banda progressiva."

Sobre o próprio distanciamento do death metal, ele foi direto: já na época do primeiro disco, tinha voltado a ouvir rock dos anos 60 e 70 em vez do metal que inspirou a banda no começo. Para ele, tirar os growls da equação não tornava o Opeth uma banda menos pesada — só uma banda diferente.

Mikael Åkerfeldt do Opeth cantando ao vivo em 2024
Mikael Åkerfeldt assumiu o microfone do Opeth em 1992 e nunca mais deixou a banda.

O retorno que ninguém esperava

Em 2024, depois de dezesseis anos cantando só limpo, o Opeth lançou The Last Will and Testament — e trouxe os growls de volta, incorporados a arranjos ainda mais ambiciosos, com narração e participações extras. O disco venceu o Grammis, o Grammy sueco, e provou que a banda podia revisitar o próprio passado sem simplesmente repeti-lo.

Trinta e seis anos depois de Täby

A formação atual reúne:

  1. Mikael Åkerfeldt — vocais e guitarra, desde 1990
  2. Martín Méndez — baixo, desde 1997
  3. Fredrik Åkesson — guitarra, desde 2007
  4. Joakim Svalberg — teclados, desde 2011
  5. Waltteri Väyrynen — bateria, desde 2022

A banda já headlineou o Wacken Open Air, na Alemanha, dividiu palco com o Dream Theater na turnê Progressive Nation em 2008 e, em 2016, a Loudwire colocou o Opeth entre as doze maiores bandas de metal de todos os tempos. Comemorou vinte e vinte e cinco anos de carreira com séries especiais de shows revisitando discos antigos — prova de que, mesmo tendo trocado de pele tantas vezes, a banda nunca abandonou de vez o próprio passado. Trinta e seis anos depois de Täby, a única certeza sobre o Opeth é que ele vai continuar surpreendendo.

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