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Rock

Lamb of God: a banda que sobreviveu a um julgamento por homicídio na Chéquia

Antes de se chamar Lamb of God, a banda se chamava Burn the Priest. O nome assustava tanto que promotores recusavam shows por achar que era uma banda de metal satânico — o que nunca foi a proposta. Em 1999, já com o primeiro álbum gravado sob o nome antigo, o grupo de Richmond, na Virgínia, trocou de identidade para o que conhecemos hoje. A mudança de nome, porém, foi o menor dos sustos que a banda enfrentaria.

Lamb of God se apresentando ao vivo no Rock am Ring 2015
Lamb of God durante show no festival Rock am Ring, em 2015 — a banda nasceu em Richmond, Virgínia, em 1994.

De Burn the Priest a Lamb of God

A banda nasceu em 1994 em Richmond, formada por John Campbell no baixo e Mark Morton na guitarra, aos quais logo se juntaram Randy Blythe nos vocais e Willie Adler na segunda guitarra. O nome Burn the Priest valeu até 1999, quando o grupo decidiu adotar Lamb of God — e manteve o álbum de estreia como Burn the Priest (1999), em homenagem à própria origem.

O som que a banda desenvolveu misturava a precisão técnica do thrash com o peso rítmico do groove metal de bandas como Pantera, criando uma identidade que logo os colocaria ao lado de Slipknot, System of a Down e Avenged Sevenfold como uma das forças definidoras do metal nos anos 2000.

A escalada: de Richmond para o mundo

A trajetória discográfica da banda segue uma escalada quase linear de reconhecimento:

  1. New American Gospel (2000) — primeiro álbum já como Lamb of God, ainda em selo independente.
  2. As the Palaces Burn (2003) — o disco que chamou atenção da crítica especializada.
  3. Ashes of the Wake (2004) — primeiro álbum certificado Ouro nos Estados Unidos.
  4. Sacrament (2006) — segundo disco Ouro seguido, consolidando a banda no mainstream do metal.
  5. Wrath (2009) e Resolution (2012) — mantiveram a banda em turnês de arena e festivais ao redor do mundo.

A noite em Praga que quase acabou com a banda

Em 27 de junho de 2012, Randy Blythe foi preso pela polícia tcheca assim que desembarcou em Praga para um show. A acusação remontava a um show de 2010 na mesma cidade: durante a apresentação, um fã de 19 anos chamado Daniel Nosek havia subido ao palco, e Blythe o empurrou de volta para a plateia. Nosek bateu a cabeça na queda e morreu semanas depois, em decorrência dos ferimentos. Blythe passou mais de um mês preso antes de ser liberado sob fiança para aguardar julgamento no exterior — e decidiu voltar à Chéquia por conta própria, meses depois, para se apresentar ao tribunal.

O veredito

Ele não precisava ter voltado. Muita gente achou que não voltaria.

Em 5 de março de 2013, o Tribunal Municipal de Praga concluiu que Blythe era moralmente responsável pelo empurrão, mas não criminalmente culpado pela morte — reconhecendo que ele não tinha intenção de causar dano grave e que agiu numa situação de palco que já havia acontecido centenas de vezes sem consequência. A Corte Superior de Praga confirmou a absolvição em junho do mesmo ano. Blythe escreveu depois um livro sobre a experiência, Dark Days: A Memoir, e passou a defender publicamente mudanças nas regras de segurança de shows de metal.

Randy Blythe, vocalista da Lamb of God, se apresentando ao vivo
Randy Blythe, vocalista da banda desde a fundação, foi julgado e absolvido na Chéquia em 2013.

Cinco indicações ao Grammy, nenhuma estatueta

Apesar do reconhecimento da crítica, o Grammy nunca coroou a banda:

  • 2007: indicados por "Redneck" — perderam para o Slayer, com "Eyes of the Insane".
  • 2010: indicados por "Set to Fail" — perderam para o Judas Priest, com "Dissident Aggressor".
  • 2011: indicados por "In Your Words" — perderam para o Iron Maiden, com "El Dorado".
  • 2013: indicados por "Ghost Walking" — perderam para o Halestorm, com "Love Bites (So Do I)".
  • 2016: indicados por "512", do álbum VII: Sturm und Drang — perderam para o Ghost, com "Cirice".

A banda também foi eleita pela Loudwire uma das melhores bandas de metal de todos os tempos, prova de que o reconhecimento, ainda que sem a estatueta dourada, nunca faltou entre os pares e o público.

O legado de um nome quase trocado de novo

Hoje a formação reúne Randy Blythe, Mark Morton, Willie Adler e John Campbell como membros originais, ao lado do baterista Art Cruz, que assumiu o posto em 2019. A banda segue lançando material novo — Omens saiu em 2022 e Into Oblivion chegou em 2026 — e até criou o próprio cruzeiro temático, o Headbangers Boat, levando fãs para o alto-mar ao som de groove metal.

Trinta anos depois de nascer com um nome que afugentava promotores de show, a Lamb of God segue como uma das bandas mais respeitadas do metal moderno — e uma das poucas cuja história inclui um capítulo inteiro dentro de um tribunal europeu.

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