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Games

Baldur's Gate 3: como a Larian Studios varreu o Game of the Year sem abrir mão da ousadia

Poucos lançamentos da década mudaram tanto a conversa sobre RPGs quanto Baldur's Gate 3. Um estúdio belga de porte médio pegou a licença de Dungeons & Dragons, um público nichado de acesso antecipado e transformou tudo isso num dos maiores fenômenos dos games recentes.

Arte de Baldur's Gate 3 com o grupo de personagens
Baldur's Gate 3, da Larian Studios, foi lançado oficialmente em agosto de 2023.

De Divinity a Dungeons & Dragons: a aposta da Larian

A Larian Studios já tinha reputação entre fãs de RPG por causa da série Divinity: Original Sin, conhecida pela liberdade de escolhas e pela equipe de desenvolvimento enxuta trabalhando a partir da Bélgica. Pegar a licença de Dungeons & Dragons 5ª edição para fazer o terceiro Baldur's Gate era, ao mesmo tempo, uma honra e um risco gigante: a franquia não tinha um jogo novo havia mais de duas décadas, desde os clássicos de computador que ajudaram a definir o gênero de RPG nos anos 1990.

Swen Vincke, fundador e CEO da Larian, assumiu a direção do projeto pessoalmente — e seria ele quem, anos depois, subiria ao palco dos maiores prêmios dos games para receber o resultado dessa aposta.

Três anos de acesso antecipado moldaram o jogo

Baldur's Gate 3 não nasceu pronto. A Larian abriu o jogo em acesso antecipado em outubro de 2020, bem antes do lançamento completo:

  1. Outubro de 2020 — início do acesso antecipado, com apenas o primeiro ato jogável.
  2. 2020–2023 — anos de atualizações gratuitas, com a Larian reescrevendo sistemas inteiros a partir do retorno dos jogadores.
  3. 3 de agosto de 2023 — lançamento 1.0, com os três atos completos e a campanha inteira.

Esse período moldou boa parte do que tornou o jogo tão elogiado: companheiros de grupo mais complexos, sistemas de combate ajustados e uma quantidade de conteúdo opcional que surpreendeu até a própria equipe, que em entrevistas admitiu ter perdido a conta de quantos finais alternativos o jogo acabou ganhando.

Por que os jogadores dizem que tudo importa?

A marca registrada de Baldur's Gate 3 é a reatividade: decisões pequenas, tomadas horas antes, podem mudar diálogos, finais de missões inteiras ou até quem sobrevive até o fim da campanha. Isso vem direto do sistema de mesa de D&D, adaptado por um estúdio que não teve medo de deixar o jogador tentar quase qualquer solução — incluir combate, diplomacia, furtividade ou um feitiço bizarro aplicado no lugar errado.

Parte do carinho dos fãs também vem do elenco de companheiros do grupo, entre eles Astarion, Shadowheart, Gale e Karlach — personagens com histórias próprias que mudam dependendo de como o jogador os trata ao longo da campanha. É esse tipo de personagem, escrito para reagir e não só para acompanhar, que motivou boa parte das centenas de horas que os jogadores relatam ter investido numa única campanha.

Vinte milhões de cópias e contando

O sucesso comercial acompanhou o crítico. Ainda no acesso antecipado, o jogo já tinha vendido 2,5 milhões de cópias — e os números só cresceram depois do lançamento completo:

Marco Vendas
Acesso antecipado (2020) 2,5 milhões de cópias
Pouco depois do lançamento (2023) mais de 10 milhões
Marco mais recente anunciado pela Larian mais de 20 milhões

Para um RPG de turnos, com dezenas de horas de diálogo narrado e sem o apelo imediato de um jogo de ação, os números colocam Baldur's Gate 3 entre os lançamentos mais vendidos do gênero em qualquer época — perto de nomes que, historicamente, vendem muito mais por serem jogos de ritmo mais rápido e sessões mais curtas.

A noite em que Swen Vincke varreu os prêmios

Baldur's Gate 3 se tornou o primeiro jogo da história a vencer o prêmio de Jogo do Ano nas cinco principais premiações da indústria no mesmo ciclo. No The Game Awards 2023, levou seis estatuetas, incluindo Jogo do Ano, Melhor RPG e Melhor Atuação. No Golden Joystick Awards do mesmo ano, levou sete prêmios — um recorde para a premiação.

Swen Vincke subiu ao palco do The Game Awards usando uma armadura de placas por cima do terno para aceitar o troféu, um gesto que virou símbolo da forma despretensiosa como a Larian lidou com o próprio sucesso.

Swen Vincke no palco do The Game Awards vestindo armadura
Swen Vincke, da Larian Studios, subiu ao palco do The Game Awards 2023 vestindo armadura para receber o prêmio de Jogo do Ano.

O que Baldur's Gate 3 muda para o gênero

Depois de Baldur's Gate 3, o nível de reatividade e acabamento esperado de um RPG mudou de patamar — outros estúdios do gênero passaram a ser comparados diretamente ao jogo da Larian, para o bem e para o mal. A própria Larian já avisou que não pretende fazer uma sequência direta tão cedo, preferindo deixar a franquia descansar em vez de repetir a fórmula.

Resta saber se o modelo de desenvolvimento que tornou tudo isso possível, com anos de acesso antecipado e uma equipe disposta a refazer sistemas inteiros, é algo que outros estúdios conseguem repetir — ou se Baldur's Gate 3 vai ficar como um fenômeno difícil de copiar.

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