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Filmes & Séries

Orkut está de volta: o site ligou a contagem regressiva para hoje, 8 de outubro

Quem tinha scrap, comunidade e depoimento guardados na memória passou a quarta-feira (7) atualizando o navegador. O endereço orkut.com, abandonado desde 2014, voltou a responder — e, em vez de redirecionar para qualquer outra coisa, mostrava uma contagem regressiva com uma mensagem assinada pelo próprio criador da rede social.

Orkut Büyükkökten, criador da rede social Orkut
Orkut Büyükkökten, engenheiro turco que criou a rede social em 2004 e assina o anúncio do retorno.

O aviso que pegou todo mundo de surpresa

A mensagem era curta e direta, sem link para cadastro, sem tela de login, sem nada que lembrasse scraps ou comunidades. Só um relógio contando as horas e um recado:

"Estou preparando uma grande mudança no site! Te espero aqui às 10h de 08/10 para ver o resultado."

O texto estava assinado por Orkut Büyükkökten, o engenheiro turco que criou a rede em 2004 — o mesmo nome que sumiu dos holofotes brasileiros desde que o Google encerrou o serviço original. O horário marcado, 10h de Brasília, é justamente hoje.

Quem está por trás do retorno

Büyükkökten nunca desapareceu de vez depois do fim do Orkut. Em maio de 2016, ele lançou a Hello, uma rede baseada em interesses em que o usuário escolhia entre mais de cem "personas" (fotógrafo, gamer, viajante, cozinheiro) para se conectar com gente parecida — um projeto que ele próprio chamou de sucessor espiritual do Orkut, e que chegou a bombar no Brasil e na Índia antes de sair do ar pouco depois. Mais recentemente, ele voltou a falar em entrevistas sobre criar "experiências digitais mais humanas" — a mesma bandeira que ergueu quando lançou a rede original dentro do Google, em janeiro de 2004. A reaparição do domínio orkut.com com o nome dele estampado é o sinal mais concreto até agora de que aquele discurso virou projeto de fato, e não só nostalgia em podcast.

O que ainda é mistério

Até a véspera do anúncio, o site não escondia nada além da própria cara: uma página de apresentação e uma contagem regressiva, sem qualquer funcionalidade testável. Não dá pra confirmar:

  • Se vai ser uma rede social tradicional, um clube fechado, um app ou outra coisa
  • Se contas e perfis antigos serão recuperados de algum jeito
  • Se vai ter scraps, comunidades ou qualquer outro recurso clássico
  • Se o lançamento de hoje é o produto final ou só mais uma prévia

Nada disso foi confirmado oficialmente — e vale desconfiar de qualquer post que garanta detalhes técnicos antes das 10h.

Antes do Facebook, tinha o Orkut

Para quem não viveu aquela época: o Orkut dominou a internet brasileira entre 2004 e 2014, numa escala que nenhuma rede social repetiu depois. O Brasil virou, de longe, o maior mercado da plataforma — tanto que "ter Orkut" virou sinônimo de ter internet discada decente. A rotina incluía escrever scraps no mural dos amigos, colecionar "fãs", entrar em comunidades com nomes inacreditáveis e deixar depoimentos que ninguém mais apaga da memória. O Google encerrou o serviço em 30 de setembro de 2014, batido pelo Facebook e pelo próprio desinteresse do Google em manter o produto vivo.

Por que o Brasil amou tanto assim?

Difícil separar o sucesso do Orkut do momento em que ele chegou: foi a primeira rede social de massa para uma geração inteira de brasileiros que estava saindo do ICQ e do MSN Messenger. Alguns dos hábitos que ele criou — e que nenhuma outra rede reproduziu do mesmo jeito:

  1. Comunidades hiperespecíficas, do tipo "Eu finjo que entendi mas não entendi"
  2. Scraps públicos no perfil, lidos por qualquer visitante
  3. Depoimentos permanentes, que ficavam exibidos pra sempre (ou até alguém apagar)
  4. Um ranking de "fãs" que virou, sem querer, o primeiro termômetro de popularidade social da internet brasileira

Nenhuma dessas mecânicas sobreviveu do mesmo jeito no Facebook ou no Instagram — o que explica boa parte da curiosidade em torno do anúncio de hoje.

Vale a pena recriar a roda?

Trazer de volta o nome é fácil. Recriar o motivo pelo qual aquilo funcionou é outra história. O Orkut nasceu num momento sem concorrência, numa internet mais lenta e mais ingênua — e a nova versão, seja lá o que for, vai ter que disputar atenção com TikTok, Instagram e X, todos já rodando algoritmo, anúncio e criador profissional havia mais de uma década. A tentativa da Hello em 2016 mostrou que o nome de Büyükkökten ainda puxa gente, principalmente no Brasil, mas não garante que o produto emplaque de novo.

A contagem regressiva termina hoje às 10h. Até lá, o que existe é expectativa, um nome que marcou época e uma pergunta em aberto: vai ser rede social de novo, ou só nostalgia empacotada?

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