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Filmes & Séries

Avatar: A Lenda de Aang: como um desenho de 2005 virou uma saga que não parou de crescer

Em 2005, um estúdio da Nickelodeon apostou num desenho que misturava artes marciais chinesas, filosofia oriental e uma dose de drama pesada demais para o horário infantil de costume. Vinte anos depois, Avatar: A Lenda de Aang não só resistiu ao tempo como ganhou uma segunda vida — versão em live-action na Netflix incluída.

Bryan Konietzko em painel sobre Avatar
Bryan Konietzko, cocriador de Avatar: A Lenda de Aang, no painel de 20 anos da série na New York Comic Con 2025.

Dois colegas de faculdade com uma ideia grande

Michael Dante DiMartino e Bryan Konietzko se formaram juntos em 1996, no departamento de cinema e animação da Rhode Island School of Design. A ideia nasceu de um rascunho antigo: Konietzko tinha um desenho de um homem careca e de meia-idade, feito num trabalho anterior, e resolveu reimaginá-lo como uma criança pastoreando bisões voadores pelo céu — a semente visual de Aang e do bisão Appa. Quase uma década depois, a dupla levou à Nickelodeon a ideia de um mundo dividido em quatro nações — Água, Terra, Fogo e Ar —, cada uma ligada a um estilo de luta baseado em artes marciais reais. A série estreou em 21 de fevereiro de 2005, com um especial duplo de uma hora.

Um desenho que não poupava a audiência

Por trás da estética colorida, a trama não evitava temas pesados: colonização, genocídio e as cicatrizes deixadas pela guerra guiam boa parte do conflito entre a Nação do Fogo e as outras três nações. O arco de redenção do príncipe Zuko, que passa a série caçando o Avatar para recuperar a própria honra, é citado até hoje como um dos mais bem construídos da TV americana — animação ou não. Soma-se a isso o time de apoio formado por Katara, Sokka e Toph, cada um carregando sua própria ferida — perda da mãe, sensação de inutilidade num grupo de combatentes, deficiência visual tratada como vantagem — sem nunca virar só alívio cômico.

Da estreia ao fim, em três temporadas

A linha do tempo da série original:

  1. 21 de fevereiro de 2005 — estreia do especial "O Garoto no Iceberg"
  2. Três temporadas, chamadas de "Livros" (Água, Terra e Fogo), exibidas até 2008
  3. 19 de julho de 2008 — final de duas horas, "O Cometa de Sozin", encerra a história original

No caminho, a série somou cinco prêmios Annie, um Kids' Choice Award e, em 2008, um Peabody Award — reconhecimento raro para uma animação voltada originalmente ao público infantojuvenil.

A frase que resume a série

"O orgulho não é o oposto da vergonha — é a fonte dela."

A fala, do General Iroh, tio exilado do Reino do Fogo, resume boa parte da camada emocional que separou Avatar de outros desenhos da época. Iroh carrega quase toda a sabedoria da série, e frases como essa ajudam a explicar por que o público adulto nunca abandonou de fato a obra.

Um universo que não parou em 2008

A história ganhou continuação direta com A Lenda de Korra, exibida entre 2012 e 2014 ao longo de 52 episódios e ambientada setenta anos depois dos eventos do desenho original, com uma nova Avatar no centro da trama. A franquia segue viva: a Avatar Studios, braço da Paramount dedicado só a esse universo, tem dois projetos animados a caminho — o filme Aang: The Last Airbender, primeiro de uma trilogia planejada, e a série Avatar: Seven Havens, sequência direta de Korra.

E a versão que a Netflix fez?

A Netflix lançou sua adaptação em live-action em 2024 e renovou a série para mais duas temporadas já em março daquele ano, cobrindo os três livros originais em três temporadas da versão nova. A segunda chegou em 25 de junho de 2026, com sete episódios acompanhando o Time Avatar em Ba Sing Se. A terceira e última temporada, segundo a própria Netflix, foi filmada entre maio e novembro de 2025, na Islândia — cenário usado para compor as paisagens geladas da Tribo da Água.

Por que a série continua relevante

Passadas duas décadas da estreia original, Avatar: A Lenda de Aang segue como referência de como sustentar uma história longa sem perder coerência — e como tratar um público jovem sem simplificar temas difíceis. Em outubro de 2025, elenco e criadores se reuniram na New York Comic Con para celebrar os 20 anos da série, numa sala lotada de gente que cresceu assistindo ao desenho e hoje apresenta a mesma história para os próprios filhos.

Zach Tyler Eisen em painel sobre Avatar
Zach Tyler Eisen, voz original de Aang na série animada, no mesmo painel de aniversário da NYCC 2025.

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