Ministry anuncia álbum final e turnê de despedida depois de 45 anos de banda
Al Jourgensen decidiu que chega. Depois de mais de quatro décadas provocando e definindo boa parte do que o metal industrial se tornou, o Ministry anuncia o fim: o álbum Hate To Go (Take Out Or Delivery) sai hoje, 30 de outubro, pela gravadora Cleopatra Records, acompanhado do anúncio de uma turnê de despedida que começa na Europa em 2027.
O 17º álbum é também o último
Hate To Go (Take Out Or Delivery) é o décimo sétimo disco de estúdio do Ministry — e, segundo o próprio Jourgensen, não vai ter um décimo oitavo. A formação que grava e sai em turnê com ele reúne o guitarrista Monte Pittman (também guitarrista de longa data de Madonna), o guitarrista Cesar Soto, o baixista Paul D'Amour (que tocou no álbum de estreia do Tool, Undertow), o tecladista John Bechdel e o baterista Pepe Clarke Magaña.
A faixa que fecha o disco, "We're Still Here", ainda reserva uma surpresa: o retorno de Paul Barker, baixista e parceiro de Jourgensen por boa parte da fase mais influente do Ministry, ausente da banda há mais de vinte anos.
Cleopatra Records é uma escolha curiosa para encerrar a trajetória: a gravadora é mais conhecida por relançamentos e coletâneas do que por discos de estúdio inéditos de uma banda do tamanho do Ministry. Ainda assim, foi ela quem bancou o projeto até o fim, inclusive a turnê que vem a seguir.
Burned Out, o aviso que já tinha vindo antes
O primeiro single, "Burned Out", chegou em julho com um videoclipe que mistura live-action e animação. A letra combina samples de noticiário com uma mensagem direta sobre o momento político: não importa o lado que a pessoa escolheu, ninguém sai ileso da bagunça.
É a cara do Ministry que o público conhece desde os anos 1990: raiva, sampler ligado e guitarra pesada tratando o noticiário como matéria-prima.
A despedida passa por cidades europeias em 2027
A primeira leva confirmada da turnê final cobre a Europa entre 2 de abril e 1º de maio de 2027, com o Die Krupps como banda de abertura em todas as datas. Entre as cidades confirmadas:
- Utrecht, na Holanda
- Bruxelas, na Bélgica
- Londres e Manchester, no Reino Unido
- Paris, na França
- Berlim e Hamburgo, na Alemanha
- Praga, na República Tcheca
- Estocolmo, na Suécia
Datas na América do Norte ainda não foram anunciadas.
A escolha do Die Krupps como banda de abertura não é acaso. Os alemães são contemporâneos do Ministry na cena industrial europeia desde o início dos anos 1980 e ajudaram a moldar o que viraria o EBM (electronic body music) — gênero que também corre nas veias do som de Jourgensen. Fechar a carreira ladeado por uma banda da mesma geração tem ar de reencontro, não só de turnê.
Quarenta e cinco anos de ruído
O Ministry nasceu em 1981, em Chicago, como um projeto de sintetizadores com Al Jourgensen no comando — e mudou de pele várias vezes até virar sinônimo de metal industrial na virada para os anos 1990, com discos como The Land of Rape and Honey e Psalm 69. Jourgensen tem 67 anos e segue como o único integrante presente em toda a história da banda.
Pelo caminho, o Ministry também colecionou brigas: trocou de formação dezenas de vezes e sobreviveu a problemas de saúde graves do próprio Jourgensen. Chegar ao fim pela própria decisão, depois de tudo isso, também é uma declaração.
O nome Ministry nunca coube só num álbum por vez. Jourgensen sempre manteve projetos paralelos funcionando ao lado da banda principal — o Revolting Cocks, mais dançante e debochado, e o Lard, parceria com Jello Biafra, ex-vocalista do Dead Kennedys, que misturava industrial com crítica política direta. O tom de "Burned Out" segue essa mesma linha: mesmo no último disco, Jourgensen não abriu mão do que sempre fez.
O pico comercial veio em 1992, com Psalm 69: The Way to Succeed and the Way to Suck Eggs, disco certificado platina nos Estados Unidos e puxado pela faixa "Jesus Built My Hotrod", com participação de Gibby Haynes, do Butthole Surfers. Foi o momento em que o underground industrial de Chicago virou presença garantida na MTV.
"Sayonara. Finito."
Done. Sayonara. Finito. Do jeito que você quiser dizer, o Ministry está chegando ao fim.
Foi assim que Jourgensen anunciou a própria despedida. Não há meio-termo na frase, e não há mesmo no histórico da banda: o Ministry sempre preferiu arrancar o curativo de uma vez.
Com o álbum já nas plataformas e a turnê confirmada só para a Europa por enquanto, resta saber se outras datas entram no calendário antes do encerramento oficial.
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