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Rock

Anthrax: a banda nova-iorquina que colocou rap e thrash metal na mesma música

Enquanto Metallica, Megadeth e Slayer dividiam os palcos da Califórnia nos anos 1980, uma banda do outro lado dos Estados Unidos insistia em fazer barulho igual — só que em Nova York, misturando thrash metal com humor ácido e, mais tarde, com rap. Essa banda é a Anthrax, e nunca teve a fama sombria de uma nem o rigor técnico de outra, mas construiu um público fiel ao redor de uma mistura própria de velocidade, humor e cultura pop.

Scott Ian, guitarrista da Anthrax, ao vivo
Scott Ian, guitarrista e cofundador da Anthrax, em show de 2005.

Queens, Nova York, 1981

Scott Ian e Dan Lilker fundaram a Anthrax em 18 de julho de 1981, no bairro do Queens. O nome veio de um livro de biologia: Ian viu a palavra e achou que soava "suficientemente maligna" para batizar uma banda de metal.

A formação clássica só se estabilizou com o tempo: o baterista Charlie Benante entrou em 1983, o baixista Frank Bello em 1984 e o vocalista Joey Belladonna, também em 1984 — completando o time que gravaria os discos mais importantes da banda.

O Big Four que não nasceu na Califórnia

Anthrax integra o Big Four do thrash metal ao lado de Metallica, Megadeth e Slayer — mas é a única das quatro que não surgiu na costa oeste dos Estados Unidos. Enquanto as outras três se formaram ou se consolidaram na Califórnia, a Anthrax carregou o sotaque e o humor de Nova York para dentro do gênero, misturando riffs pesados com piadas internas e referências de quadrinhos.

Essa origem nova-iorquina também aproximou a banda da cena hardcore e skate da costa leste, dando à Anthrax um público mais heterogêneo do que o das rivais californianas.

Among the Living e o som que grudou

O disco que definiu a banda saiu em 1987. "Among the Living" trouxe faixas como "I Am the Law", inspirada no personagem de quadrinhos Juiz Dredd, e consolidou o estilo de riffs rápidos, groove marcado e vocais melódicos de Belladonna — uma receita mais acessível do que a de Slayer, mas igualmente veloz.

O álbum também carrega boa parte do humor que separava a Anthrax das outras bandas do Big Four: capas carregadas de referência pop, letras sobre filmes de terror e uma postura de banda de bairro, não de banda hermética.

Quando o metal e o rap se encontraram

Em 1991, a Anthrax regravou "Bring the Noise", do Public Enemy, com a própria banda de rap participando da faixa e do clipe. A colaboração saiu em "Attack of the Killer B's" e antecipou em anos o cruzamento entre metal e hip-hop que se tornaria comum na década seguinte.

As duas bandas chegaram a sair em turnê juntas, levando plateias de rock e de rap para a mesma pista — uma combinação pouco comum para o início dos anos 1990.

A cadeira de vocalista que trocou de dono

Belladonna, Bush, Belladonna

Joey Belladonna deixou a banda em 1992, substituído por John Bush, vocalista com um timbre mais grave e agressivo, que comandou a Anthrax por 13 anos. Bush saiu em 2005; a banda reagrupou com Belladonna e o guitarrista Dan Spitz para uma série de shows de reunião.

A volta se tornou definitiva em 2010, e o grupo lançou "Worship Music" em 2011 — o primeiro álbum de estúdio com Belladonna em quase vinte anos.

Scott Ian, o único que nunca saiu

De todos os integrantes que passaram pela Anthrax, só um nunca deixou a banda: o guitarrista e cofundador Scott Ian, reconhecível por décadas de barba estilo cavanhaque e postura de porta-voz do grupo. Enquanto vocalistas e baixistas trocaram de lugar ao longo dos anos 2000, Ian seguiu sendo o fio condutor que manteve a identidade da banda — e, com ela, boa parte do senso de humor que sempre diferenciou a Anthrax das rivais mais sombrias.

A barba e o estilo descontraído viraram praticamente uma marca registrada, repetida em entrevistas e documentários sobre a cena thrash desde os anos 1980.

Dez milhões de discos depois

Mais de quatro décadas depois do Queens, a Anthrax já vendeu mais de 10 milhões de discos no mundo todo. A lista do que a banda deixou inclui:

  • Um dos primeiros encontros sérios entre metal e rap, anos antes de virar tendência.
  • A consolidação de Nova York como território do thrash, ao lado de nomes como Overkill.
  • Uma legião de bandas de metalcore e nu metal que citam o humor e a energia dos shows da Anthrax como referência direta.

Das quatro bandas que definiram o thrash metal americano, a Anthrax segue sendo a mais imprevisível — e a prova de que o gênero também cabia uma boa piada.

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