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Rock

The Smashing Pumpkins: a banda que transformou angústia adolescente em rock grandioso

Poucas bandas dos anos 90 carregaram tanta contradição ao mesmo tempo quanto a The Smashing Pumpkins: delicadeza e peso, ambição orquestral e fúria de garagem, um líder genial e insuportável na mesma pessoa. A história da banda de Chicago é a de um projeto que quase desmoronou dentro dos próprios discos que a tornaram gigante.

The Smashing Pumpkins no auge dos anos 90
Billy Corgan, James Iha, D'arcy Wretzky e Jimmy Chamberlin formaram a banda em Chicago, em 1988.

Chicago, 1988

Billy Corgan montou a banda em Chicago, no fim dos anos 80, com o guitarrista James Iha, a baixista D'arcy Wretzky e o baterista Jimmy Chamberlin — o único do grupo com formação de jazz, o que deu à banda uma cadência rítmica rara dentro do rock alternativo da época.

O nome "Pumpkins" não tem história nenhuma por trás: o próprio Corgan já disse que "podia ser qualquer vegetal", que o nome surgiu do nada e não tem relação com abóbora ou Halloween.

Gish abre a porta

O álbum de estreia, Gish (1991), apresentou uma banda já tecnicamente afiada, equilibrando riffs pesados com passagens quase psicodélicas. O disco não fez a banda explodir, mas chamou atenção suficiente para colocar o nome Smashing Pumpkins ao lado de Nirvana e Pearl Jam como uma das apostas de Chicago para o rock alternativo que estava prestes a dominar o rádio americano.

O colapso atrás de Siamese Dream

Siamese Dream (1993) é o disco que projetou a banda para o mainstream — e quase a destruiu no processo. Corgan teve um esgotamento nervoso pouco antes das gravações e assumiu quase sozinho boa parte das guitarras e dos baixos do álbum, deixando o resto da banda praticamente de fora da execução instrumental.

D'arcy chegou a deixar o grupo durante as sessões, e a relação entre Corgan e Iha nunca mais foi a mesma, mesmo com o guitarrista permanecendo na formação.

A banda quase não sobreviveu ao disco que a tornou famosa.

Um Muro de dor em forma de disco duplo

Dois anos depois, a banda dobrou a aposta com Mellon Collie and the Infinite Sadness (1995), um álbum duplo deliberadamente inspirado em The Wall, do Pink Floyd. O disco se tornou um dos maiores sucessos do rock alternativo dos anos 90, puxado por quatro singles que ainda tocam hoje:

  1. "Bullet with Butterfly Wings", com o refrão que virou bordão de uma geração inteira
  2. "1979", a trilha definitiva de qualquer nostalgia dos anos 90
  3. "Tonight, Tonight", com o clipe inspirado no cinema mudo de Georges Méliès
  4. "Zero", curto, pesado e um dos cartões de visita da estética visual da banda

Foi o pico comercial da carreira — e também o começo de uma crise que a banda não viu chegando.

Capa do álbum Mellon Collie and the Infinite Sadness
Mellon Collie and the Infinite Sadness, de 1995, foi inspirado no conceito de The Wall, do Pink Floyd.

A turnê que perdeu um baterista

Em julho de 1996, em plena turnê de Mellon Collie, o tecladista de apoio Jonathan Melvoin morreu de overdose de heroína num quarto de hotel em Nova York. Jimmy Chamberlin, que usou a mesma droga na mesma noite, sobreviveu e foi preso por posse.

Dias depois, a banda anunciou a demissão do baterista. Foi um golpe duplo: a perda de um amigo e a saída do músico que dava à banda boa parte da sua identidade rítmica, bem no momento em que ela estava no topo.

Do fim à ressurreição

A banda seguiu sem Chamberlin por um tempo, lançou o mais sombrio e eletrônico Adore (1998) e viu as vendas despencarem. Ele voltou para Machina/The Machines of God (2000), pouco antes de Corgan anunciar o fim do grupo naquele mesmo ano.

A pausa não durou para sempre. Corgan e Chamberlin reativaram o nome em 2006, e em 2018 James Iha voltou também para Shiny and Oh So Bright — só D'arcy ficou de fora da reunião. Desde então a banda segue lançando material novo, incluindo Cyr (2020) e a trilogia conceitual ATUM (2022–2023), que resgata e expande a história iniciada em Machina duas décadas antes.

Reconhecimento que ainda não veio

O impacto comercial nunca foi colocado em dúvida: a banda já vendeu mais de 30 milhões de discos ao redor do mundo, e só Mellon Collie and the Infinite Sadness rendeu sete indicações ao Grammy, de um total de dois prêmios levantados pela banda ao longo da carreira.

Mesmo assim, o Rock and Roll Hall of Fame nunca chamou o nome da banda — nem para uma indicação. Elegível desde 2016, a The Smashing Pumpkins segue de fora da lista, ao lado de outros nomes que marcaram o rock alternativo dos anos 90 e ainda esperam o convite.

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