Van Halen: a banda que reinventou a guitarra solo e o próprio hard rock
Tem banda que define um som. Van Halen definiu um instrumento inteiro. Quando Eddie Van Halen começou a tocar guitarra como se ela fosse um teclado — duas mãos no braço, uma nota explodindo em cima da outra — o hard rock ganhou um vocabulário novo que guitarristas ainda tentam copiar até hoje.
De Pasadena para o mundo
A história começa em 1974, em Pasadena, na Califórnia, onde os irmãos holandeses Eddie e Alex Van Halen montaram a banda com David Lee Roth nos vocais e Michael Anthony no baixo. A formação clássica:
- Eddie Van Halen — guitarra;
- Alex Van Halen — bateria;
- David Lee Roth — vocal;
- Michael Anthony — baixo e backing vocal.
Foi essa escalação que gravou o disco de estreia, em 1978, e virou sinônimo de hard rock dos anos 80 quase da noite para o dia. Antes de assinar contrato, a banda já era fenômeno local no circuito de clubes de Los Angeles e Hollywood, construindo uma base de fãs que lotava apresentações muito antes de qualquer gravadora prestar atenção.
O solo que mudou a técnica da guitarra
Faixa de pouco mais de um minuto, "Eruption" não tinha letra, refrão nem estrutura de música comum — era só Eddie Van Halen mostrando uma técnica de tapping que poucos guitarristas levavam a sério até então. Bastou isso para virar referência obrigatória em qualquer conversa sobre guitarra solo depois de 1978.
O impacto foi imediato. Uma geração de guitarristas do rock e do metal passou a estudar a faixa nota por nota, e o tapping deixou de ser curiosidade para virar ferramenta padrão do instrumento. Eddie também ficou conhecido por modificar os próprios instrumentos, montando guitarras com peças de diferentes fabricantes — a famosa "Frankenstrat", pintada nas cores vermelho, branco e preto, virou tão icônica quanto a própria música que ele compunha com ela.
1984 e o ano em que o hard rock soou como pop
Nenhum álbum resume melhor a ambição da banda do que 1984. Com "Jump", Van Halen trocou o riff de guitarra pelo teclado como protagonista do single — decisão polêmica entre os fãs mais puristas, mas que levou a banda ao topo das paradas e ao público que nunca tinha ouvido um disco de hard rock antes.
Foi também o último álbum de estúdio com David Lee Roth antes da primeira grande virada de página da banda. O videoclipe de "Jump", exibido à exaustão na MTV, ajudou a consolidar a imagem extravagante do grupo: saltos no palco, trejeitos de David Lee Roth e um teclado tocado pelo próprio Eddie, que insistia em mostrar que também dominava outros instrumentos além da guitarra.
Diamond Dave sai, chega o Van Hagar
Em 1985, Roth deixou o grupo para seguir carreira solo. A banda não parou: chamou Sammy Hagar, e a fase que os fãs batizaram de "Van Hagar" produziu uma sequência de discos de sucesso, como 5150 e OU812 — provando que a banda sobrevivia (e vendia) além do vocalista que a tornou famosa.
| Era | Vocalista | Álbuns-chave |
|---|---|---|
| Clássica (1978–1985) | David Lee Roth | Van Halen, 1984 |
| Van Hagar (1985–1996) | Sammy Hagar | 5150, OU812 |
| Reunião (2007–2020) | David Lee Roth | A Different Kind of Truth |
Depois de idas e vindas — incluindo uma tentativa breve com Gary Cherone nos anos 90 —, Roth voltou ao microfone em 2007 para uma turnê de reunião que se estendeu, com intervalos, até os anos finais da banda. A rivalidade entre fãs da era Roth e da era Hagar virou piada recorrente no meio do rock, mas também mostra algo raro: poucas bandas conseguem reinventar a própria identidade vocal e continuar enchendo estádios.
O baixo passa para a próxima geração
Em 2006, Michael Anthony deixou o baixo e quem assumiu a vaga foi Wolfgang Van Halen, filho de Eddie, então um adolescente. A escolha dividiu opiniões na época, mas Wolfgang seguiu na banda até o fim, tocando ao lado do pai e do tio nos últimos anos de turnê.
Com o tempo, Wolfgang construiu credibilidade própria dentro e fora da banda, inclusive lançando carreira solo com o projeto Mammoth WVH anos depois — um gesto simbólico de continuidade do sobrenome Van Halen no rock, mesmo sem o grupo original mais em atividade.
O fim de uma era
Eddie Van Halen morreu em 6 de outubro de 2020, depois de enfrentar um câncer por anos. Com a perda do guitarrista que dava nome à banda, Van Halen deixou de existir como grupo em atividade.
Ficou, em troca, um catálogo que continua sendo estudado por quem pega uma guitarra pela primeira vez — e um solo de pouco mais de um minuto que, décadas depois, ainda serve de prova de nível para quem quer se chamar de guitarrista de rock. Poucas bandas conseguiram equilibrar virtuosismo técnico com apelo de rádio da forma que Van Halen fez, e é esse equilíbrio — mais do que qualquer disco específico — que continua sendo a herança mais citada do grupo entre músicos de gerações seguintes.
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