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Rock

Soundgarden: a banda que trouxe o riff de Led Zeppelin para o grunge de Seattle

Seattle, 1984. Enquanto a cidade ainda não tinha nome para a cena que ia explodir, um grupo de amigos já tocava um tipo de rock que não cabia em nenhuma gaveta. Soundgarden nasceu antes da palavra "grunge" existir — e foi a primeira banda da cidade a assinar com uma gravadora grande.

Soundgarden em apresentação nos anos 1990
Soundgarden: Chris Cornell, Kim Thayil, Ben Shepherd e Matt Cameron.

Antes do grunge ter nome

A formação original juntou o vocalista e guitarrista Chris Cornell, o guitarrista Kim Thayil, o baixista Hiro Yamamoto e o baterista Scott Sundquist (substituído depois por Matt Cameron). O nome veio de uma escultura sonora real, a "A Sound Garden", instalada num parque de Seattle — tubos de metal que vibram com o vento.

As primeiras gravações, os EPs Screaming Life (1987) e Fopp (1988), saíram pela Sub Pop, a gravadora independente que também revelou Mudhoney e, pouco depois, o Nirvana. Produzidos por Jack Endino no mesmo estúdio modesto onde boa parte da cena de Seattle gravava na época, os dois EPs já mostravam o que diferenciava a banda: riffs mais lentos e mais pesados do que o costume do punk local.

Em 1988 e 1989 vieram os dois primeiros álbuns de estúdio, Ultramega OK e Louder Than Love — este já pela A&M, selo que levou o nome da banda a lojas em que a Sub Pop não chegava. Os dois discos ainda tinham um pé no metal clássico e outro na estranheza punk que definiria a cena local.

Por que soavam diferentes do resto de Seattle?

Nirvana trazia o pop-punk sujo. Pearl Jam, o classic rock emocional. Soundgarden fazia outra coisa: riffs pesados em afinações alternativas, assinaturas rítmicas incomuns (compassos de 5 ou 7 tempos onde o ouvido espera 4) e uma voz, a de Cornell, com alcance de quatro oitavas que lembrava tanto Robert Plant quanto um grito de dor real.

Kim Thayil dizia abertamente que Black Sabbath e Led Zeppelin eram referências tão fortes quanto o punk da Sub Pop. O resultado era pesado o bastante para o público do metal e estranho o bastante para o público alternativo — sem pertencer inteiramente a nenhum dos dois.

Black Hole Sun e o estouro mundial

Badmotorfinger (1991) já tinha colocado a banda no radar nacional, impulsionado pela onda de atenção que a explosão do Nirvana trouxe para qualquer coisa vinda de Seattle. Mas foi Superunknown, de 1994, que levou o Soundgarden ao topo da Billboard 200 e rendeu dois Grammys, um deles por "Black Hole Sun".

O clipe da música, dirigido por Howard Greenhalgh, mostra um subúrbio de sorrisos artificiais sendo engolido por um buraco negro — imagem perturbadora o bastante para render ao vídeo o prêmio de Melhor Vídeo de Metal/Hard Rock no MTV Video Music Awards daquele ano. A canção tocou em rádios que nunca tinham dado espaço a uma banda tão pesada.

Black hole sun, won't you come and wash away the rain

A frase, estranha e hipnótica, resumia bem o que a banda sempre fez: pop sombrio disfarçado de hard rock. O álbum ainda emplacou outros singles de peso, como "Spoonman" e "Fell on Black Days", provando que o sucesso de "Black Hole Sun" não era um acaso isolado.

Chris Cornell cantando ao vivo
Chris Cornell em show: alcance vocal de quatro oitavas.

Os discos que você precisa conhecer

  1. Ultramega OK (1988) — o início cru, ainda procurando identidade.
  2. Louder Than Love (1989) — primeiro disco em gravadora grande (A&M), com "Hands All Over".
  3. Badmotorfinger (1991) — o salto para o mainstream do metal, com "Rusty Cage" e "Jesus Christ Pose".
  4. Superunknown (1994) — o auge comercial, hoje certificado seis vezes platina nos EUA.
  5. Down on the Upside (1996) — som mais solto e menos produzido, último disco antes da primeira separação.

A morte de Chris Cornell e o fim

O Soundgarden se separou em 1997, em meio a desgastes internos, e voltou em 2010 para turnês e um disco novo, King Animal (2012). Os planos de um sexto álbum terminaram em 18 de maio de 2017, quando Chris Cornell morreu em Detroit, horas depois de um show da banda, aos 52 anos.

A morte chocou a cena do rock duas vezes na mesma geração: Cornell era próximo de Kurt Cobain e também amigo de longa data de Chester Bennington, do Linkin Park, que morreria dois meses depois.

O que ficou

Depois da primeira separação, Cornell formou o Audioslave junto com os instrumentistas do Rage Against the Machine — Tom Morello, Tim Commerford e Brad Wilk —, provando que sua voz funcionava em qualquer riff pesado que lhe dessem. Kim Thayil, Ben Shepherd e Matt Cameron seguiram tocando juntos esporadicamente, até a reunião completa da banda em 2010, que resultou em shows ao redor do mundo e no álbum King Animal, dois anos depois.

Mas é no Soundgarden original que a lição fica mais clara: dava para ser pesado, estranho e popular ao mesmo tempo. Poucas bandas saídas de Seattle conseguiram as três coisas juntas — e menos ainda fizeram isso soando como se tivessem aprendido a tocar ouvindo Led Zeppelin num porão escuro, o que, pelos relatos da própria banda, não estava longe da verdade.

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