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Rock

Sepultura encerra 42 anos de carreira com show de despedida em São Paulo

No dia 7 de novembro, o Sepultura subiu ao palco pela última vez. O show fechou uma turnê de despedida que começou em 2024 e colocou um ponto final em 42 anos de uma das bandas mais influentes da história do metal — nascida em Belo Horizonte e ouvida no mundo inteiro.

Sepultura se apresentando na turnê de despedida
Sepultura durante a turnê de despedida "Celebrating Life Through Death".

Um ponto final em São Paulo

O show final da carreira do Sepultura aconteceu na noite de 7 de novembro de 2026, na Suhai Music Hall, em São Paulo. A apresentação fechou a turnê de despedida "Celebrating Life Through Death", anunciada em dezembro de 2023 e iniciada em 2024. Foi o ponto final de uma trajetória de 42 anos, começada em Belo Horizonte em 1984, numa cidade que, até então, não tinha tradição alguma de exportar bandas de metal para o resto do mundo. A apresentação reuniu num mesmo palco a formação que a banda levou aos últimos anos de estrada e nomes que marcaram fases anteriores da carreira.

Por que o show mudou de endereço?

A apresentação final não aconteceria originalmente na Suhai Music Hall. O show estava marcado para a Mercado Livre Arena Pacaembu, também em São Paulo, mas a banda e a Live Nation Brasil mudaram o local sem explicação oficial ao público — uma troca que reduziu a capacidade do evento em quase dois terços.

Local Capacidade
Mercado Livre Arena Pacaembu (anunciado) 25 mil pessoas
Suhai Music Hall (realizado) 9 mil pessoas

Quem já tinha comprado entrada não precisou trocar o ingresso: ele continuou valendo no novo endereço, que esgotou antes mesmo de a mudança ser divulgada.

Celebrating Life Through Death

A turnê que fechou a carreira do Sepultura teve um roteiro longo até chegar a São Paulo:

  1. Dezembro de 2023 — a banda anuncia que a turnê seguinte seria a última da carreira.
  2. 2024 — começam os primeiros shows da despedida, batizada "Celebrating Life Through Death".
  3. Maio de 2026 — abrem as vendas da etapa final no Brasil, com pré-venda para clientes Santander a partir do dia 28 e venda geral dois dias depois; os preços iam de R$ 150 (meia-entrada na arquibancada) a R$ 1.600 (pacote VIP com Meet & Greet).
  4. 5 de novembro de 2026 — o Sepultura faz "The Last Ceremony", apresentação especial no Cine Joia, em São Paulo, penúltimo show da carreira.
  5. 7 de novembro de 2026 — show final, na Suhai Music Hall.

Quarenta e dois anos depois, as luzes se apagaram pela última vez.

Discos que mudaram o metal brasileiro

Antes de ser sinônimo de despedida, o nome Sepultura foi sinônimo de ineditismo em discos que ajudaram a definir o metal extremo nos anos 1980 e 1990:

  • Beneath the Remains (1989) — o álbum que apresentou a banda ao público internacional.
  • Arise (1991) — consolidou o Sepultura como nome do thrash metal fora do Brasil.
  • Chaos A.D. (1993) — aproximou o som da banda de temas políticos e sociais do país.
  • Roots (1996) — misturou metal com ritmos brasileiros, incluindo uma gravação feita com a tribo indígena Xavante, em Mato Grosso.

Foi pouco depois de Roots, em 1997, que a banda viveu sua ruptura mais marcante: a saída do vocalista e cofundador Max Cavalera, substituído por Derrick Green.

Quem dividiu o palco com a banda

A despedida reuniu nomes que atravessaram a história do Sepultura, entre atrações de abertura e convidados especiais:

  • Krisiun — banda brasileira de death metal, uma das atrações de abertura.
  • Metal Allegiance — supergrupo internacional de metal.
  • Sacred Reich — banda de thrash metal dos Estados Unidos.
  • Jean Dolabella — ex-baterista do Sepultura, confirmado como convidado especial.
  • Jairo Guedz — ex-guitarrista da formação original da banda, também presente na despedida.

A formação que fechou a história

A última formação do Sepultura reuniu quem carregou a banda nas duas últimas décadas.

  • Derrick Green — vocal, na banda desde 1997, quando substituiu Max Cavalera.
  • Andreas Kisser — guitarra, integrante desde 1987.
  • Paulo Jr. — baixo, um dos fundadores da banda em 1984.
  • Greyson Nekrutman — bateria, o integrante mais recente da formação.
Andreas Kisser em retrato de bastidores
Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura desde 1987, esteve na formação que encerrou a carreira da banda.

De Belo Horizonte para o mundo

O Sepultura nasceu em 1984, em Belo Horizonte, numa época em que o metal brasileiro praticamente não existia fora do país. Mais de quatro décadas depois, a banda se tornou referência internacional do gênero, abrindo caminho para o metal brasileiro circular em festivais e paradas ao redor do mundo, décadas antes de outros artistas nacionais do estilo alcançarem reconhecimento parecido. O show de São Paulo fechou essa história com a mesma sigla que a escreveu — sem Max Cavalera, mas com o nome Sepultura inteiro até o último acorde. Em 2024, Andreas Kisser chegou a dizer publicamente que gostaria de convidar os irmãos Cavalera para a despedida. Não aconteceu: Gloria Cavalera, esposa e empresária de Max, afirmou que ele sequer recebeu um convite para o show final.

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