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Mangás e HQs

One Punch Man: como a piada de um autor anônimo virou um dos mangás mais vendidos do mundo

Saitama sempre vence com um golpe só. A piada é simples, mas levou mais de uma década para se transformar num dos mangás mais vendidos da história — e ainda dividir opiniões a cada nova temporada de anime.

Saitama, protagonista de One Punch Man
Saitama, o herói careca que resolve qualquer luta com um único golpe, em cena do anime.

Um passatempo que escapou do controle

Em 2009, um autor japonês que assina só como ONE começou a publicar, de graça, um webcomic num site próprio. A ideia era simples: testar um programa de desenho que tinha acabado de comprar. O traço era rudimentar, quase propositalmente feio, mas o humor pegou — a história de um herói careca, capaz de vencer qualquer inimigo com um único soco, e completamente entediado com isso. Em junho de 2012, o webcomic já somava 7,9 milhões de acessos.

Por que alguém redesenharia um webcomic de graça?

A resposta tem nome: Yusuke Murata, o desenhista por trás do mangá de futebol americano "Eyeshield 21", um dos títulos esportivos mais populares da Weekly Shonen Jump nos anos 2000. Fã do humor de ONE, Murata entrou em contato com o autor e propôs recriar a obra do zero, mantendo a história e trocando o traço rudimentar por uma arte detalhada, quase cinematográfica. Essa credibilidade prévia ajudou o projeto a decolar rápido: a parceria deu origem ao remake que estreou em 14 de junho de 2012 na versão digital da revista Weekly Young Jump — a versão que o mundo conhece hoje, com páginas de luta que viralizam isoladas das próprias tirinhas.

Página do mangá One Punch Man desenhado por Yusuke Murata
A arte detalhada de Yusuke Murata, que redesenhou o webcomic original de ONE a partir de 2012.

Uma linha do tempo rápida

A trajetória da franquia ajuda a entender como ela cresceu tão rápido:

  1. 2009 — ONE publica o webcomic original, sozinho e sem ajuda de editora.
  2. Junho de 2012 — o webcomic passa de 7,9 milhões de acessos; Yusuke Murata propõe o remake.
  3. Junho de 2012 — o remake desenhado por Murata estreia na Weekly Young Jump digital.
  4. Outubro de 2015 — a Madhouse lança a primeira temporada do anime, aclamada por fãs e crítica.
  5. 2019 — a J.C.Staff assume a 2ª temporada, que divide a fanbase pela queda na qualidade da animação.
  6. 2025 — a 3ª temporada retoma a produção, de volta com a J.C.Staff; a parte 2 está confirmada para janeiro de 2027.
  7. 2025 — o mangá remake ultrapassa 34 milhões de cópias em circulação.

Saitama, o herói que perdeu a capacidade de se emocionar

O que diferencia Saitama de qualquer protagonista de shonen é o ponto de partida: ele já é, desde o primeiro capítulo, forte o suficiente para vencer qualquer oponente com um golpe. O treino absurdo que o deixou assim — segundo a piada recorrente da obra, cem flexões, cem abdominais, cem polichinelos e dez quilômetros de corrida por dia, sem ar-condicionado no verão nem aquecedor no inverno — também custou algo a ele: a capacidade de se entusiasmar com qualquer luta. A série inteira brinca com essa ironia: o herói mais poderoso do mundo é também o mais entediado, e boa parte das piadas nasce do contraste entre o tamanho da ameaça e o desinteresse dele em enfrentá-la. Essa apatia também vira piada visual recorrente: enquanto vilões fazem discursos grandiosos sobre poder e destino, Saitama costuma interromper com reclamações banais, do tipo o preço de um repolho numa promoção do supermercado do bairro.

O golpe nunca falha

O problema é tudo o que vem antes dele.

A tensão de "One Punch Man" nunca esteve em saber se Saitama vence — ele sempre vence. Ela está nos personagens em volta: o discípulo Genos, obcecado em se tornar forte por vingança; a burocracia e as disputas internas da Associação dos Heróis; e os próprios monstros, cujas origens muitas vezes funcionam como histórias trágicas paralelas. É esse elenco de apoio que carrega boa parte do drama que Saitama, de propósito, não sente.

A temporada que dividiu os fãs

Poucas trocas de estúdio geraram tanta discussão quanto a da 2ª temporada. Depois da primeira leva de episódios, estourada pela animação fluida da Madhouse, a produção passou para a J.C.Staff em 2019 — e fãs notaram a diferença logo nos primeiros minutos, com cenas de luta mais estáticas e cortes de câmera para disfarçar a queda de orçamento. Parte da crítica também apontou que o orçamento mais apertado afetou a adaptação em si: lutas que, no mangá de Murata, ocupavam páginas inteiras de ação detalhada chegaram à tela como planos estáticos com poucos quadros de movimento. A tabela resume como a recepção mudou ao longo das temporadas:

Temporada Estúdio Ano Recepção
1ª Madhouse 2015 Aclamada
2ª J.C.Staff 2019 Criticada
3ª J.C.Staff 2025– Mista, mas com avanço na animação

A 3ª temporada, dividida em duas partes, tenta reverter essa impressão — a segunda metade está confirmada para janeiro de 2027.

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