System of a Down: o caos armênio que sequestrou o nu-metal
Quando o nu-metal dominava o final dos anos 90, a maioria das bandas seguia uma fórmula parecida. Aí apareceu o System of a Down, com quatro músicos armênio-americanos, músicas que mudavam de direção sem aviso e letras que falavam de genocídio e política. Ninguém soava como eles.
Califórnia, com raízes na Armênia
A banda se formou em 1994 na Califórnia, reunindo músicos de origem armênia que cresceram cercados pela história e pela cultura do próprio povo.
Esse pano de fundo nunca foi enfeite. Ele aparece na sonoridade, nas melodias de inspiração folclórica e, principalmente, no que eles escolheram cantar.
Música que não fica parada
A marca registrada é a imprevisibilidade. Uma faixa do System pode começar pesadíssima, virar um trecho quase melódico no meio e explodir de novo segundos depois.
Muito disso vem da dupla de vozes:
- Serj Tankian, com seu vocal teatral e elástico
- Daron Malakian, guitarrista e segunda voz, mais cru e nervoso
A troca entre os dois cria aquele efeito de montanha-russa que define o som da banda.
Toxicity e o estouro
O segundo disco, Toxicity, de 2001, jogou a banda no topo. Dele saíram alguns dos maiores hinos do rock dos anos 2000:
- "Chop Suey!"
- "Toxicity"
- "Aerials"
Eram músicas estranhas, com letras enigmáticas e viradas bruscas — e mesmo assim tocaram em todo rádio de rock do planeta. Foi a prova de que dava para ser esquisito e gigante ao mesmo tempo.
Barulho com propósito
Diferente de muita banda do gênero, o System sempre teve mensagem. As letras atacavam guerra, consumo, manipulação da mídia e cobravam o reconhecimento do genocídio armênio — causa pessoal para os quatro.
"B.Y.O.B.", de 2005, que questionava as guerras americanas, rendeu a eles um Grammy. Protesto embrulhado em refrão grudento.
O silêncio e os retornos
Em 2006 a banda entrou num hiato que deixou os fãs órfãos. Voltaram aos palcos em 2010, mas sem um novo disco completo desde então.
Mesmo assim, continuam lotando festivais e mantendo viva a sensação de que são insubstituíveis. Tantos anos depois, ainda não surgiu ninguém que faça aquele tipo específico de caos organizado.
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