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Rock

Rage Against the Machine: a banda que transformou protesto político em riff pesado

Poucas bandas levaram tão a sério a palavra 'raiva' no próprio nome. Formado em Los Angeles no auge dos anos 1990, o Rage Against the Machine juntou riff pesado, flow de rap e letra de protesto numa combinação que incomodou tanto quanto vendeu.

Banda Rage Against the Machine em show
Zack de la Rocha, Tom Morello, Tim Commerford e Brad Wilk formaram o Rage Against the Machine em Los Angeles, em 1991.

Quatro nomes, uma causa

O Rage Against the Machine nasceu em 1991, em Los Angeles, com uma formação que nunca mudou: Zack de la Rocha no vocal, Tom Morello na guitarra, Tim Commerford no baixo e Brad Wilk na bateria. A proposta musical já saía diferente de tudo que tocava no rádio na época: heavy metal, rap, punk rock e funk fundidos numa coisa só, embalando letras anti-autoritárias, anti-capitalistas e abertamente revolucionárias.

O nome não nasceu com a banda. Antes de fundar o Rage Against the Machine, Zack de la Rocha já tinha escrito uma música chamada "Rage Against the Machine" para a Inside Out, uma banda hardcore anterior dele. A frase em si foi cunhada ainda em 1989 por Kent McClard, num artigo da fanzine "No Answers", ligada à mesma cena da Inside Out.

Tom Morello, por sua vez, recrutou Zack de um jeito quase careta: colocou um anúncio de jornal procurando um "vocalista neo-marxista de heavy metal que também curtisse Run-DMC". A mistura de metal pesado com a cadência do rap não veio por acaso — o próprio Morello cita Afrika Bambaataa, Public Enemy e Beastie Boys como referências diretas, ao lado da banda holandesa Urban Dance Squad.

A capa que incomodou antes da primeira nota

O álbum de estreia, homônimo, saiu em 6 de novembro de 1992 pela Epic Records. Antes mesmo de alguém apertar o play, a capa já provocava: a fotografia do monge vietnamita Thích Quảng Đức se imolando em Saigon, em 1963, em protesto contra a perseguição aos budistas sob o regime de Ngô Đình Diệm. A imagem, do fotógrafo Malcolm Browne, ganhou o Pulitzer.

Não era ilustração. Era uma fotografia real de um protesto real.

O disco emplacou faixas como "Killing in the Name" e "Bombtrack" e deixou claro, desde a capa, qual seria o tom da banda dali pra frente.

A discografia, álbum por álbum

  1. Rage Against the Machine (1992) — o disco de estreia, com "Killing in the Name" e "Bombtrack".
  2. Evil Empire (1996) — trouxe "Bulls on Parade" e "Vietnow", seguindo a mesma receita de riff pesado e letra política.
  3. The Battle of Los Angeles (1999) — com "Guerrilla Radio" e "Sleep Now in the Fire", cujo clipe foi dirigido pelo documentarista Michael Moore.
  4. Renegades (2000) — álbum só de covers, o último antes da primeira pausa da banda.

A música como ferramenta de protesto

Zack de la Rocha resumiu bem o motivo de colocar política em cada letra:

"A música tem o poder de atravessar fronteiras, de romper cercos militares e de estabelecer um diálogo real." — Zack de la Rocha

De Audioslave à batalha de Natal contra o X Factor

Zack de la Rocha deixou a banda em 2000. Os outros três músicos não ficaram parados: formaram o Audioslave ao lado do vocalista Chris Cornell, do Soundgarden, projeto que durou de 2001 a 2007.

O Rage Against the Machine voltou a se reunir em 2007, com um show no festival Coachella, e seguiu fazendo turnês esporádicas nos anos seguintes.

Tom Morello tocando guitarra em show
Tom Morello, guitarrista do Rage Against the Machine, também integrou o Audioslave ao lado de Chris Cornell.

Em dezembro de 2009, "Killing in the Name" virou protagonista de uma batalha inesperada no Reino Unido. Uma campanha de base nasceu no Facebook com um objetivo simples: impedir que o X Factor, programa de Simon Cowell, emplacasse pela quarta vez seguida a música no topo da parada de Natal britânica.

Funcionou. A faixa de 1992 vendeu 502 mil cópias em uma semana e tirou do primeiro lugar o single de Joe McElderry, vencedor daquela edição do X Factor — virando a primeira música disponível só em download a fechar o ano na liderança das paradas do Reino Unido. Tom Morello chamou o resultado de "uma dose e tanto de anarquia" e destinou a renda inesperada à instituição de caridade Shelter, voltada a moradores em situação de rua.

O show que terminou com Zack sentado no chão do palco

Em 11 de julho de 2022, em Chicago, na segunda noite da turnê de reunião ao lado do Run the Jewels, Zack de la Rocha sofreu uma lesão séria no tendão de Aquiles esquerdo durante o clímax de "Bullet in the Head". O rompimento foi grave.

Ainda assim, a banda terminou a perna norte-americana da turnê com Zack cantando sentado à frente do palco. As datas na Europa foram canceladas por recomendação médica e, em 4 de outubro daquele ano, o próprio Zack anunciou o cancelamento de todas as datas restantes, incluindo a etapa prevista para 2023 na América do Norte.

Seis indicações depois, o Hall da Fama

Em 2023, depois de seis indicações, o Rage Against the Machine finalmente entrou no Rock and Roll Hall of Fame. Um reconhecimento tardio para uma banda que passou três décadas incomodando o sistema que dá nome a ela — e que, mesmo sem um álbum de estúdio novo desde 2000, continua sendo citada como referência sempre que rap e metal se encontram.

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