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Games

Portal: como um projeto de estudantes virou um dos jogos mais aclamados da Valve

Lançado em outubro de 2007 dentro da coletânea The Orange Box, Portal é curto — leva poucas horas para zerar — e mesmo assim se tornou um dos jogos mais citados da geração seguinte. A fórmula parecia simples: atire um portal, atire outro, atravesse. O resultado foi um dos melhores roteiros cômicos dos games, construído em cima de uma mecânica que ninguém tinha visto daquele jeito antes.

Caixa do jogo The Orange Box, da Valve, que reunia Half-Life 2: Episódio Dois, Team Fortress 2 e a estreia de Portal
A coletânea The Orange Box, lançada em 2007, foi a estreia oficial de Portal ao lado de Half-Life 2: Episódio Dois e Team Fortress 2.

De projeto de faculdade a joia da Valve

Portal não nasceu dentro da Valve. A mecânica de teletransporte veio de Narbacular Drop, um protótipo feito por estudantes da DigiPen Institute of Technology como trabalho de conclusão de curso. A Valve ficou tão impressionada com a ideia que contratou o time inteiro, liderado por Kim Swift, para transformar aquele experimento em jogo completo.

O resultado manteve a essência do protótipo — abrir duas aberturas conectadas no espaço — mas ganhou uma ambientação completamente nova: os laboratórios da Aperture Science e a supervisão de uma inteligência artificial chamada GLaDOS. A ideia de encaixar esse quebra-cabeça dentro do universo de Half-Life também ajudou o jogo a ganhar contexto: Portal se passa nas instalações de uma rival fictícia da Black Mesa, o laboratório da série principal da Valve.

Por que o bolo nunca existiu?

Ao longo dos testes, GLaDOS promete um bolo de chocolate como recompensa para quem completar todas as câmaras. Em salas escondidas, o jogador encontra mensagens rabiscadas nas paredes por Doug Rattman, um técnico da Aperture que sobreviveu ao ataque inicial da IA. Uma das paredes repete a mesma frase quatro vezes:

the cake is a lie

A frase virou uma das mais citadas dos games — e o bolo nunca aparece: no lugar dele, uma fornalha. Em pouco tempo, "the cake is a lie" escapou do jogo e virou resposta pronta em fóruns e redes sociais para qualquer promessa que soasse furada demais para ser verdade.

O cubo que ninguém esquece

Poucos objetos de jogo geraram tanto apego quanto o Weighted Companion Cube, um cubo de metal rosa que acompanha o jogador por uma câmara inteira — até GLaDOS obrigar o jogador a incinerá-lo.

  • A dublagem de GLaDOS é da atriz Ellen McLain, que também assina a voz da IA em todos os jogos seguintes da Valve ligados ao universo.
  • A música de créditos, "Still Alive", foi composta pelo cantor Jonathan Coulton e cantada da perspectiva da própria GLaDOS, como se ela tivesse sobrevivido ao final do jogo.
  • O humor ácido de GLaDOS — elogios que escondem ameaças, sarcasmo disfarçado de gentileza — se tornou a marca registrada da série.
Réplica do Weighted Companion Cube, cubo rosa icônico do jogo Portal
O Weighted Companion Cube se tornou um dos objetos mais lembrados da série.

Portal 1 x Portal 2: o que mudou

Quatro anos depois, a sequência expandiu o universo sem perder o tom. A tabela abaixo resume as principais diferenças entre os dois jogos:

Portal (2007) Portal 2 (2011)
Protagonista Chell Chell
Antagonista principal GLaDOS GLaDOS e Wheatley
Novo elemento de jogo Portais Géis de física (repulsão, propulsão, conversão)
Modo cooperativo Não tem Robôs Atlas e P-body
Elenco de voz extra — Stephen Merchant (Wheatley), J.K. Simmons (Cave Johnson)

O roteiro de Portal 2 também recuou no tempo, mostrando os primeiros anos da Aperture Science sob o comando do fundador Cave Johnson, décadas antes dos eventos do primeiro jogo.

Prêmios que vieram depois

O reconhecimento veio rápido. Já em 2008, Portal levou três prêmios na premiação da Academy of Interactive Arts & Sciences: Conquista Excepcional em Design de Jogo, Engenharia de Jogabilidade e Atuação de Personagem (para a GLaDOS de Ellen McLain). O jogo também concorreu a Melhor Roteiro no Game Developers Choice Awards daquele ano.

Anos depois, Portal 2 foi além: levou três prêmios no BAFTA Games Awards, incluindo Melhor Jogo e Melhor Roteiro — confirmação de que a escrita da dupla de jogos, e não só a mecânica de portais, era parte central do que fazia a série funcionar.

O legado que ainda ecoa

Quase vinte anos depois do lançamento, Portal segue citado como referência de design de quebra-cabeça: a mecânica de portais virou base de estudo em cursos de design de jogos, e frases como "the cake is a lie" continuam aparecendo em camisetas, memes e referências de outros jogos.

Mais do que um jogo de física bem resolvido, Portal se manteve na memória por algo mais raro: fez o jogador rir, ficar na dúvida sobre quem contar a história, e se apegar emocionalmente a um cubo de metal.

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