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Games

Evangelion ganha jogo oficial de realidade virtual, mas lançamento foi empurrado para 2027

Depois de meses sem novidades concretas, a desenvolvedora sul-coreana Pixelity voltou a falar sobre o projeto mais ambicioso ligado a Neon Genesis Evangelion fora das telas: um jogo de ação em realidade virtual e mista, feito sob licença oficial da Khara, o estúdio japonês fundado por Hideaki Anno. Um teaser liberado nos primeiros dias de outubro trouxe a primeira imagem em movimento do game — e também a confirmação de que o lançamento, antes planejado ainda para este ano, ficou para 2027.

Cena da unidade Eva-01 no anime Neon Genesis Evangelion
A unidade Eva-01 em combate na série original de 1995, base da nova trilogia em realidade virtual.

Um teaser que demorou para vir

O vídeo começou a circular publicamente em 29 de setembro, dias depois de a Pixelity mostrar o jogo de perto num evento de testes para convidados em São Francisco. Até então, o projeto vivia de anúncios pontuais: a licença com a Khara havia sido assinada ainda no começo de 2025, mas sem imagens novas que provassem que o desenvolvimento seguia andando.

O teaser muda esse cenário. Ele mostra cenas da NERV reconstruídas em realidade virtual e reforça o nome oficial do primeiro capítulo da trilogia: Evangelion: Δ Cross Reflections.

O que é exatamente o Cross Reflections?

Δ Cross Reflections é o primeiro de três jogos planejados pela Pixelity, estúdio especializado em títulos de realidade estendida. A ideia é cobrir, ao longo da trilogia, a cronologia completa dos 26 episódios da série original de 1995 — e este primeiro capítulo se concentra nos 11 episódios iniciais.

A história não recicla o roteiro do anime linha por linha. Em vez de colocar o jogador direto na pele de Shinji, Asuka ou Rei, o estúdio criou um personagem original: um novo recruta da NERV que acompanha os eventos conhecidos da série por um ângulo inédito, sem substituir os protagonistas. A Khara, dona da licença desde que Anno reorganizou os direitos da franquia após o fim da reconstrução cinematográfica (a tetralogia Rebuild, encerrada em 2021), aprovou o enredo paralelo como parte do acordo.

Como se joga

Pelo que a Pixelity mostrou até agora, a jogabilidade mistura exploração e combate físico, pensada para headsets de realidade virtual e mista:

  • Movimentos por gestos para pilotar o Eva e manejar armas corpo a corpo e à distância;
  • Combate em tempo real com bloqueio e esquiva, em vez de apenas apontar e atirar;
  • Sistema de buffs e equipamentos que mudam a cada missão;
  • Modo cooperativo, permitindo jogar ao lado de outros recrutas da NERV controlados por outros jogadores.

O estúdio tem repetido, em entrevistas e materiais de divulgação, que a meta não é um jogo de tiro genérico vestido de Evangelion, e sim algo construído em torno das mecânicas que definem a franquia: sincronia com o Eva, gestão de energia e a tensão de cada combate contra um Anjo.

Jogador usando headset de realidade virtual
Evangelion: Δ Cross Reflections foi pensado para headsets de realidade virtual e mista.

A data que atrasou

O calendário, porém, mudou. Quando a parceria com a Khara foi revelada, a Pixelity falava em lançar o primeiro capítulo ainda dentro de 2026. O teaser de outubro confirma que esse plano não se sustentou: a chegada ao mercado agora está marcada para 2027, sem uma data fechada dentro do ano.

Nem a Pixelity nem a Khara detalharam publicamente o motivo do adiamento. Para quem acompanha o histórico de jogos em realidade virtual baseados em franquias grandes, atrasos assim não são raridade — construir combate físico com rastreamento de corpo inteiro e modo cooperativo em VR costuma exigir mais rodadas de teste do que um jogo tradicional em tela plana.

Uma vaga aberta na sala de aula da NERV

O personagem original do jogador entra como um dos novos pilotos em treinamento da NERV, dividindo cena com rostos conhecidos da série. A aposta da Pixelity é que esse recruta funcione como porta de entrada para quem nunca viu o anime, sem abrir mão das referências que os fãs de longa data vão reconhecer — os Anjos, a cidade de Tóquio-3, o comando frio de Gendo Ikari.

As demonstrações fechadas em São Francisco, realizadas em 25 de setembro, já deixaram jornalistas e criadores de conteúdo testarem trechos de combate antes do teaser ir ao ar. Os relatos públicos sobre essas sessões ainda são escassos, mas confirmam que o jogo já está em estado jogável, e não apenas em vídeo de apresentação.

Dá para colocar Evangelion dentro de um headset?

Essa é a pergunta que ronda o projeto desde o primeiro anúncio. Neon Genesis Evangelion construiu seu lugar na cultura pop menos pelas batalhas contra os Anjos e mais pelo colapso psicológico de Shinji Ikari e pela sensação de claustrofobia dentro do cockpit dos Evas. Transformar isso em um jogo de ação com combate físico é um risco calculado: a Pixelity aposta que a imersão da realidade virtual pode aprofundar justamente essa tensão interna, em vez de dilui-la numa galeria de tiro qualquer.

Se a aposta vai funcionar, só dá para saber quando o primeiro capítulo chegar de fato aos headsets — o que, pelo cronograma revelado agora, não deve acontecer antes de 2027.

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