Elden Ring: por que o RPG da FromSoftware virou um marco
Em fevereiro de 2022, milhões de pessoas largaram tudo para morrer repetidas vezes no mesmo cavaleiro montado, logo nos primeiros minutos de jogo. Esse cavaleiro se chama Margit, e a frustração que ele causou foi, paradoxalmente, o melhor cartão de visitas que a FromSoftware poderia ter feito. Elden Ring não pedia desculpas por ser difícil — e foi exatamente por isso que conquistou o mundo.

Um Souls que finalmente abriu as portas
A FromSoftware já era cultuada por Dark Souls, Bloodborne e Sekiro. Mas esses jogos eram corredores: caminhos apertados, áreas interligadas como um quebra-cabeça vertical. Elden Ring pegou aquela mesma fórmula brutal e a jogou num mundo aberto gigantesco, as Terras Intermédias.
A mudança parece simples no papel. Na prática, reescreveu o gênero.
De repente, o muro de tijolos chamado Margit deixava de ser obrigatório. Não consegue passar? Vire o cavalo, explore outra direção, fique mais forte e volte depois. Pela primeira vez, um jogo da From dava ao jogador uma saída — sem nunca segurar sua mão.
George R.R. Martin entrou na história (mas não escreveu a história)
Quando a parceria com o autor de As Crônicas de Gelo e Fogo foi anunciada, muita gente imaginou diálogos longos e missões narradas no estilo Game of Thrones. Não foi nada disso.
Martin construiu o mundo antes da tragédia: os deuses, os semideuses, as guerras que partiram o Anel Prístino muito antes de o jogador chegar. Hidetaka Miyazaki, o diretor, pegou esse passado mitológico e o estilhaçou em pedaços espalhados pelo cenário.
A história já aconteceu. Você só encontra os destroços.
É por isso que o roteiro de Elden Ring é contado em descrições de itens, ruínas e falas enigmáticas. Você é o Maculado, um exilado convocado de volta para reunir os cacos de um mundo que já desabou.
Os semideuses que você precisa caçar
O coração do jogo é uma galeria de chefes inesquecíveis, cada um guardando um fragmento do Anel. Alguns dos nomes que marcaram a comunidade:
- Godrick, o Enxertado — um nobre decadente que costura membros de inimigos no próprio corpo.
- Rennala, Rainha da Lua Cheia — guardiã da academia de magia de Raya Lucaria.
- Starscourge Radahn — o general que segura as estrelas no lugar, enfrentado num campo de batalha caótico.
- Morgott, o Rei da Maldição — o último guardião da capital, Leyndell.
Cada um deles é uma parede de aprendizado. Você morre, entende o padrão, ajusta o equipamento e tenta de novo. A vitória nunca é dada — é arrancada.
Malenia, a chefe que parou a internet
Tem um nome que todo jogador de Elden Ring reconhece com um arrepio. Malenia, Lâmina de Miquella, é opcional. Está escondida no fim de uma das áreas mais difíceis do jogo. E mesmo assim virou febre mundial.
O motivo? Seu ataque Waterfowl Dance, uma sequência de golpes quase impossível de esquivar, e a habilidade de se curar toda vez que acerta o jogador. Vídeos de gente derrotando-a depois de centenas de tentativas explodiram nas redes. Um streamer, o Let Me Solo Her, ficou famoso ajudando estranhos a vencê-la usando apenas um jarro na cabeça e duas katanas.
Nenhum jogo recente transformou um chefe opcional num fenômeno cultural desse tamanho.

Shadow of the Erdtree: a expansão à altura
Em junho de 2024, a FromSoftware lançou Shadow of the Erdtree, a única grande expansão do jogo. Em vez de um punhado de missões, veio um mapa inteiro, novo e do mesmo tamanho de regiões do jogo base.
A DLC aprofundou o mistério de Miquella, o semideus ausente que assombra toda a trama principal, e entregou novos chefes tão temidos quanto Malenia. Foi um daqueles raros casos em que a expansão é tratada como um jogo completo por mérito próprio.
O tamanho do legado
Os números contam parte da história: Elden Ring levou o prêmio de Jogo do Ano de 2022 no The Game Awards e vendeu dezenas de milhões de cópias, tornando-se o maior sucesso comercial da FromSoftware.
Mas o impacto real está em outro lugar. Elden Ring provou que um jogo pode ser teimosamente difícil, recusar tutoriais e ainda assim ser jogado por gente que nunca tinha encostado num Souls. Ele transformou a frustração em linguagem comum — porque, no fim, todo mundo morreu para o mesmo cavaleiro lá no começo. E todo mundo, eventualmente, passou.
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