Deep Purple e o riff que todo guitarrista aprende primeiro
Se você já pegou numa guitarra na vida, há uma chance enorme de a primeira coisa que tentou tocar terem sido aquelas quatro notas. Pesadas, simples, inconfundíveis. "Smoke on the Water" é o riff que todo iniciante aprende — e por trás dele há uma das melhores histórias do rock, com fogo de verdade no roteiro.
Pioneiros sem o mesmo crédito
Quando se fala dos inventores do hard rock e do metal, três nomes britânicos surgem juntos: Led Zeppelin, Black Sabbath e Deep Purple. Os dois primeiros costumam levar mais fama. O terceiro, injustamente, fica de escanteio.
Mas o Deep Purple foi tão importante quanto. A formação clássica, com Ian Gillan no vocal, Ritchie Blackmore na guitarra, Jon Lord no órgão, Roger Glover no baixo e Ian Paice na bateria, definiu o som de uma era.
Montreux, 1971: o cassino em chamas
A banda foi para Montreux, na Suíça, gravar um disco usando um estúdio móvel dos Rolling Stones. O plano era trabalhar dentro do complexo do cassino à beira do Lago Genebra.
Na véspera, durante um show de Frank Zappa no mesmo local, alguém da plateia disparou um sinalizador em direção ao teto.
O prédio inteiro pegou fogo.
Da janela do hotel, os músicos do Deep Purple viram a fumaça do incêndio se espalhar sobre a água do lago. A imagem virou letra: "smoke on the water, a fire in the sky" — fumaça sobre a água, fogo no céu.
O disco que saiu do caos
Sem o cassino, a banda improvisou. Gravou o álbum Machine Head em um hotel vazio e nos corredores de um teatro local, driblando reclamações de vizinhos e a polícia.
Do caos saiu um dos discos mais influentes do hard rock. Além de "Smoke on the Water", o álbum traz "Highway Star" e "Space Truckin'", peças que mostram a banda no auge da potência.
Guitarra contra órgão
O que tornava o Deep Purple diferente era o duelo no centro do som. De um lado, a guitarra afiada de Ritchie Blackmore. Do outro, o órgão Hammond distorcido de Jon Lord, tocado com a agressividade de uma guitarra.
Esse cabo de guerra entre os dois instrumentos dava ao Deep Purple uma textura que ninguém mais tinha. Era hard rock com alma de música clássica, especialmente em faixas longas como "Child in Time".
A banda mais barulhenta do planeta
Em 1972, o Deep Purple entrou para o Guinness como a banda mais alta do mundo, depois de um show em Londres em que parte do público desmaiou com o volume.
Não era só pose. O volume fazia parte da estética: o rock estava ficando mais pesado, mais físico, algo que se sentia no peito antes de chegar aos ouvidos. O Deep Purple ajudou a empurrar essa fronteira.
Por que começar por eles
Para quem quer entender as raízes do hard rock e do heavy metal, o Deep Purple é parada obrigatória. A obra é acessível, cheia de melodia, e Machine Head funciona como porta de entrada perfeita.
E claro: pegue uma guitarra, toque aquelas quatro notas e sinta o peso de meio século de história em um riff que parece simples demais para ter mudado tanta coisa.
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