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Animes

Cavaleiros do Zodíaco: como Saint Seiya virou o anime mais visto da TV brasileira

Masami Kurumada começou a publicar Saint Seiya na revista Weekly Shōnen Jump no fim de 1985, misturando artes marciais com mitologia grega e vestindo guerreiros com armaduras batizadas de constelações. Menos de um ano depois, a Toei Animation levou a história para a TV japonesa — e o Brasil, ao batizar a série de Os Cavaleiros do Zodíaco, transformou o anime num dos maiores fenômenos da televisão aberta nacional.

Os Cavaleiros de Bronze de Saint Seiya
Os Cavaleiros de Bronze de Saint Seiya, criados por Masami Kurumada em 1985.

Um mangá nascido da obsessão por mitologia grega

Kurumada já tinha nome feito nos quadrinhos japoneses quando decidiu misturar esportes de luta com o panteão grego. Em Saint Seiya, deuses como Atena, Poseidon e Hades dividem o enredo com guerreiros chamados de Cavaleiros, cada um ligado a uma constelação e protegido por uma armadura batizada de Cloth. A Toei Animation adaptou o mangá já em outubro de 1986, menos de um ano depois do lançamento na revista, e manteve a série no ar até abril de 1989, somando 114 episódios na emissora japonesa TV Asahi.

O mangá original se estendeu por três grandes sagas — Santuário, Poseidon e Hades —, encerradas por Kurumada ainda nos anos 1990; o anime acrescentou um arco inédito, a Saga de Asgard, criado só para a TV. O autor nunca largou o universo: desde 2006 publica Saint Seiya: Next Dimension, continuação que revisita a juventude do mestre de Seiya e segue em capítulos esparsos até hoje.

Quem são os Cavaleiros de Bronze?

A história acompanha cinco adolescentes treinados para proteger a reencarnação de Atena, a jovem Saori Kido:

  • Seiya, Cavaleiro de Pégaso, o protagonista impulsivo.
  • Shiryu, Cavaleiro de Dragão, o mais disciplinado do grupo.
  • Hyoga, Cavaleiro de Cisne, criado entre o gelo da Sibéria.
  • Shun, Cavaleiro de Andrômeda, o mais pacífico dos cinco.
  • Ikki, Cavaleiro de Fênix, o irmão de Shun que luta por conta própria.

Juntos, eles enfrentam ameaças que vão de generais rivais a deuses do Olimpo, sempre escalando a hierarquia do próprio universo da série.

Por que a armadura é uma constelação?

Cada Cloth representa uma constelação do céu, e a posição do seu guardião na hierarquia do Santuário segue o material da armadura. Cavaleiros de Bronze, como os cinco protagonistas, ocupam a base; os Cavaleiros de Prata vêm em seguida; no topo estão os 12 Cavaleiros de Ouro, responsáveis por guardar cada uma das 12 casas do zodíaco que levam ao templo de Atena, na Grécia. Avançar pela trama de Saint Seiya é, literalmente, subir essa escada erguida em signos — e a saga em que os heróis enfrentam um a um os Cavaleiros de Ouro é, até hoje, apontada como o arco mais lembrado da série.

Como o Japão virou fenômeno brasileiro

Os Cavaleiros do Zodíaco chegou à TV brasileira dublado pela Rede Manchete, e de lá se espalhou para reprises no Cartoon Network, na Band, na Rede 21 e na PlayTV. O alcance foi tão grande que a série costuma ser apontada como a animação japonesa mais vista da história da televisão brasileira — um recorde que sobrevive décadas depois do fim da Manchete, a emissora que primeiro trouxe a série ao país.

Parte dessa força vem do próprio ritual de assistir dublado: as vozes brasileiras dos cinco protagonistas ficaram tão associadas aos personagens quanto os traços de Kurumada, e boa parte de quem cresceu na década de 1990 ainda reconhece cada uma delas de ouvido, sem precisar ver a tela.

Da tela pequena para Hollywood

A franquia resistiu ao tempo reinventando o próprio formato.

Um remake em computação gráfica

Em 2019, a Toei lançou Knights of the Zodiac: Saint Seiya, remake em CG disponibilizado pela Netflix. A primeira temporada chegou em julho daquele ano, cobrindo os arcos iniciais da saga original; uma segunda temporada, Battle for Sanctuary, estreou em 2022.

E um filme com atores de carne e osso

Em 2023, Hollywood produziu Knights of the Zodiac, com o ator Mackenyu — já conhecido por outro papel de anime live-action, Zoro em One Piece — no papel de Seiya. O filme não decolou nos cinemas, mas encontrou uma segunda vida como sucesso de streaming depois de chegar à Netflix.

Mackenyu como Seiya no filme live-action de 2023
Mackenyu interpretou Seiya no live-action Knights of the Zodiac, de 2023.

Quase quarenta anos depois, o cosmo ainda queima

Entre o mangá de 1985 e o filme de 2023, Saint Seiya atravessou quase quatro décadas sem perder a audiência que a descobriu na infância. No Brasil, essa audiência cresceu repetindo o nome das armaduras e das técnicas de ataque — e ainda reconhece, no primeiro acorde da abertura da Manchete, a trilha de uma tarde inteira em frente à TV.

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