Bring Me the Horizon: do deathcore ao topo do rock moderno
Se você ouvir o primeiro e o último disco do Bring Me the Horizon em sequência, vai jurar que são duas bandas diferentes. E, de certa forma, são. Poucos grupos se reinventaram de maneira tão radical — e sobreviveram para contar.

Sheffield, 2004
A banda surgiu em 2004 na cidade de Sheffield, na Inglaterra, com o vocalista Oli Sykes à frente. O disco de estreia, Count Your Blessings (2006), era deathcore puro: pesado, caótico e agressivo, do tipo que divide opiniões já no primeiro acorde.
Muita gente da cena torceu o nariz. Ninguém imaginava que aquele grupo barulhento de adolescentes terminaria tocando para estádios.
A transformação, era por era
A trajetória do BMTH é melhor entendida em capítulos, cada um mais distante do anterior:
- Deathcore — Count Your Blessings (2006), o ponto de partida agressivo.
- Metalcore melódico — Suicide Season (2008) e There Is a Hell... (2010) abriram espaço para melodia e orquestrações.
- Rock de arena — Sempiternal (2013) e That's the Spirit (2015) trouxeram refrões enormes e produção limpa.
- Pop e eletrônica — amo (2019) escancarou a guinada pop, com sintetizadores e batidas.
Cada passo afastou alguns fãs antigos e conquistou multidões novas.
Sempiternal: o salto
Se há um disco que marca a virada definitiva, é Sempiternal (2013). Foi quando Jordan Fish entrou na banda, assumindo teclados e produção, e o som ganhou camadas, atmosfera e refrões feitos para serem cantados por milhares de pessoas.
Can You Feel My Heart, Sleepwalking e Shadow Moses mostraram um BMTH que ainda era pesado, mas já flertava com o mainstream sem pedir desculpas.

Amo e o estouro mundial
amo (2019) chegou ao primeiro lugar no Reino Unido e dividiu a base de fãs como nenhum outro disco: tinha eletrônica, pop e até faixas dançantes. Mantra rendeu indicação ao Grammy.
Logo depois, Post Human: Survival Horror (2020) puxou a banda de volta para o peso, com Parasite Eve e Teardrops, provando que eles conseguiam ir e voltar entre os mundos quando bem entendessem.
O presente
Post Human: Nex Gen (2024) seguiu a saga conceitual da banda. Nesse meio-tempo, Jordan Fish, peça central da fase mais bem-sucedida, deixou o grupo em 2023.
Fora da música, Oli Sykes ainda toca a marca de roupas Drop Dead, criada por ele. Vinte anos depois daquele deathcore cru de Sheffield, o Bring Me the Horizon é uma das maiores atrações de festival do planeta — e ninguém mais arrisca prever qual será o próximo som deles.
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